Na Turquia, mais de 160 indivíduos foram detidos em um esforço das autoridades para conter a disseminação de informações falsas e apoiar ataques que ocorreram em escolas nesta semana. A informação foi divulgada pelo ministro da Justiça, Akin Gurlek, na quinta-feira, 16.
De acordo com Gurlek, 95 pessoas já estavam sob custódia enquanto a busca por outros 35 suspeitos continuava.
A investigação revelou contas que sugeriam planos de ataque em até 54 instituições de ensino. Das pessoas associadas a essas postagens, 67 foram presas. Também foi determinado o bloqueio de acesso a 1.104 contas em redes sociais.
Simultaneamente, mais de 3.500 professores se mobilizaram em protesto contra o ministro da Educação, Yusuf Tekin, em resposta à convocação de vários sindicatos. Enquanto isso, centenas de cidadãos se reuniram em uma mesquita para prestar homenagens às vítimas dos ataques recentes.
Ataques nas instituições de ensino
No dia anterior, um estudante de 14 anos do oitavo ano entrou em sua escola portando cinco armas e sete carregadores e disparou indiscriminadamente, resultando na morte de nove pessoas e deixando outras 13 feridas. Entre os mortos estavam pelo menos três alunos e um professor. Após o ataque, o jovem tirou a própria vida.
O governador da província de Kahramanmaraş, Mukerrem Unluer, informou à imprensa que “um estudante chegou à escola com armas que acreditamos serem do pai, escondidas em sua mochila. Ele entrou em duas salas e começou a atirar aleatoriamente, causando múltiplas vítimas”. Quatro dos feridos estavam em estado crítico e necessitaram de cirurgia.
Conforme as autoridades policiais da Turquia, a foto do perfil do atirador no WhatsApp fazia alusão a Elliot Rodger, responsável por um massacre na Califórnia, nos Estados Unidos, em 2014. Em um vídeo divulgado na época, Rodger justificou seu ato como uma “punição” às mulheres que o rejeitaram.
No incidente anterior, um ex-aluno disparou uma espingarda em sua antiga escola localizada no distrito de Siverek, na província de Sanliurfa, ferindo 16 pessoas antes de se suicidar durante um confronto com as forças policiais. Entre os feridos estavam dez estudantes.
Durante uma fala ao partido governista AKP no Parlamento, o presidente Recep Tayyip Erdogan assegurou que aqueles que forem considerados negligentes ou culpados “certamente enfrentarão as consequências” pelos ataques armados ocorridos nas escolas.
Antes desta semana, episódios desse tipo eram incomuns na Turquia, país que impõe rigorosas normas sobre posse de armas. As leis exigem licenciamento, registro e verificação de antecedentes criminais e psicológicos, além de punições severas para porte ilegal.
