Irã e Estados Unidos intensificaram os ataques nesta quinta-feira, 16 de novembro, sem sinais de uma possível trégua no Oriente Médio, após uma semana marcada pela retomada dos bombardeios.
A força militar americana anunciou na quarta-feira a realização de “uma série de ataques noturnos direcionados ao Irã”, conforme publicado em um comunicado. As operações focaram em alvos militares localizados na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país, com o objetivo de “minimizar a capacidade do Irã de colocar em risco marinheiros inocentes” no Estreito de Ormuz.
No início do dia, as forças americanas realizaram um primeiro ataque, atingindo “instalações de defesa costeira na ilha Grande Tumb”, conforme informou o Centcom, o comando militar responsável pelas operações na região.
Durante o quinto dia consecutivo de hostilidades, os Estados Unidos ampliaram sua gama de alvos: veículos de comunicação estatais iranianos relataram explosões em diversas cidades do norte, sul e oeste do Irã, além das proximidades da capital Teerã. Na manhã desta quinta-feira, o sistema de defesa aérea foi ativado na cidade. Até então, os ataques haviam se concentrado predominantemente no sul.
Ação violenta
Explosões foram registradas em Bandar Abbas, Rask e na ilha Qeshm, segundo informações da mídia estatal iraniana. Um hospital localizado em Ahvaz, no sudoeste do Irã, precisou ser esvaziado após os bombardeios americanos e pacientes, incluindo 211 pessoas em tratamento quimioterápico, foram transferidos para outras instituições de saúde.
A bomba que atingiu um centro especializado em tratamento oncológico infantil foi qualificada como um “ato bárbaro”, comparável às ações israelenses contra instalações médicas. Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, afirmou que tal ato causou sofrimento intenso e angústia às crianças internadas. “Isso é um crime covarde contra seres humanos inocentes que lutam por suas vidas”, afirmou ele.
Desde o início dos conflitos renovados, mais de 30 civis perderam a vida, conforme informações do governo iraniano.
Retaliação
A nova onda de confrontos teve início em 7 de julho após uma série de ataques a navios no Estreito de Ormuz atribuídos ao Irã, rompendo uma trégua estabelecida entre as duas nações em abril. Apesar da escalada das tensões, o presidente americano Donald Trump elogiou o “gesto amigável” por parte do Irã ao anunciar a libertação de um cidadão americano detido desde 2024.
Em resposta aos ataques americanos, as Forças Armadas iranianas informaram nesta quinta-feira sobre o lançamento de drones contra bases militares americanas localizadas no Kuwait e Bahrein. De acordo com a emissora estatal IRIB, os alvos incluíram “sistemas radar e um sistema Patriot de defesa aérea na base aérea Ali Al Salem”, no Kuwait assim como instalações militares na base aérea Sheikh Isa no Bahrein.
A Jordânia também relatou ter interceptado oito mísseis disparados pelo Irã contra seu território depois que a Guarda Revolucionária Islâmica anunciou um ataque contra uma base americana localizada no país. Além disso, houve relatos sobre ataques direcionados ao Curdistão iraquiano.
Ameaça persistente
A república islâmica reafirmou sua posição ao declarar que manterá o Estreito de Ormuz fechado até que cessem as “agressões” por parte dos Estados Unidos.
Até agora, os bombardeios realizados pelo Irã não afetaram as instalações petrolíferas e gasíferas das monarquias do Golfo. No entanto, o regime dos aiatolás advertiu que retaliará caso sua infraestrutura energética sofra algum ataque em resposta às ameaças feitas por Trump. O presidente americano declarou que atacaria usinas elétricas e pontes iranianas na próxima semana se não houvesse retomada nas negociações.
“Toda a infraestrutura da região (Golfo Pérsico) será destruída”, garantiu Ebrahim Zolfaghari, porta-voz das forças armadas iranianas Khatam al-Anbiya.
