A recente possibilidade de um novo aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros impactou significativamente a campanha digital de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rumo à presidência. Nas plataformas sociais, a narrativa que responsabiliza o clã Bolsonaro pela situação ganhou força, enquanto as tentativas da oposição de vincular o tema ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tiveram sucesso.
A partir do anúncio feito pela Casa Branca sobre a potencial imposição de novas tarifas, na noite de 2 de junho, mais de 563.000 publicações relacionadas ao conceito do “TariFlávio” foram divulgadas — quase dez vezes o número de postagens que associaram a culpa a Lula (59.000). Esses dados foram coletados pelo instituto Democracia em Xeque, que realiza monitoramento do debate político nas redes sociais.
Segundo o levantamento, as postagens que atribuem a responsabilidade a Flávio Bolsonaro geraram 4,7 milhões de interações, incluindo curtidas, comentários e compartilhamentos, enquanto as que responsabilizam Lula obtiveram pouco mais de 606.000 interações.
Narrativa do ‘TariFlávio’ prevalece entre os atores políticos, enquanto discurso da direita se fragmenta
A análise dos principais protagonistas políticos revelou que a narrativa do “TariFlávio” foi claramente dominante. O estudo da Democracia em Xeque avaliou 6.216 postagens em um total de 16.000 perfis que influenciam o debate político nas redes sociais como Facebook, Instagram, YouTube, X (ex-Twitter) e TikTok.
A atribuição de culpa ao clã Bolsonaro por conta da possível taxação representou mais da metade das postagens, superando o discurso que responsabiliza Lula e as discussões acerca de outros candidatos à presidência da direita, assim como as justificativas americanas para essa medida e a decisão da Casa Branca em classificar PCC e CV como grupos terroristas.
É relevante notar que o assunto “TariFlávio” não apenas dominou as publicações da esquerda (72% do total), mas também influenciou as conversas na direita, representando 46% do volume total das postagens. As tentativas da oposição para desviar o foco para Lula, facções terroristas e outros presidenciáveis não conseguiram atrair uma significativa adesão entre os eleitores conservadores.
“A diferença entre a coesão da esquerda em torno de um único assunto e a fragmentação da direita entre defesa e transferência de responsabilidade revela por que o campo conservador não conseguiu mudar o quadro predominante no período”, conclui a análise realizada pelo Democracia em Xeque.
