OMC declara que guerra no Irã gerou a maior crise no comércio global em oito décadas.

A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, alertou que o sistema global de comércio passa por sua “pior perturbação em 80 anos” em meio ao crescimento das tensões geopolíticas ao redor do mundo. O posicionamento veio à tona nesta quinta-feira, 26, durante a abertura da 14ª Conferência Ministerial da OMC, realizada em Yaoundé, Camarões.

“Esses são apenas os sintomas de transformações mais amplas que abalam a ordem internacional, criada após a Segunda Guerra Mundial para evitar a repetição dos horrores da primeira metade do século XX”, disse Okonjo-Iweala.

Os comentários da diretora-geral dão o tom das discussões que transcorrerão em Youndé ao longo de quatro dias. Em meio a uma turbulência na economia global ligada ao fechamento do Estreito de Ormuz e conflito mais amplo entre Israel, Estados Unidos e Irã na região, os membros da OMC discutem como revitalizar a instituição.

“A escala dos problemas que o mundo enfrenta hoje, mesmo antes do conflito no Golfo, desestabilizou o comércio de energia, fertilizantes e alimentos”, indicou Okonjo-Iweala. Embora 72% das transações no mundo ainda ocorram de acordo com as regras da OMC, a diretora-geral apontou que inúmeros problemas relacionados ao questionamento do multilateralismo vêm minando a instituição.

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De acordo com Okonjo-Iweala, a ordem global mudou definitivamente e a resposta não está em buscar voltar a um status anterior, mas sim em virar os olhos para o futuro. “A ordem mundial e o sistema multilateral que conhecíamos mudaram irrevogavelmente. Não vamos recuperá-lo… Devemos olhar para o futuro”, disse.

O secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional, John Denton, também teceu comentários a respeito da crise atual. Segundo ele, é possível que ela se torne a mais grave da história recente, uma vez que tem provocado não só o aumento dos preços da energia, mas a interrupção da produção industrial.

“Já estamos vendo grandes empresas invocarem força maior em seus contratos de fornecimento e reduzirem a produção à medida que a escassez se espalha por energia, produtos químicos e outras cadeias de suprimentos críticas”, denunciou Denton, indicando que essa situação iniciará uma reação em cadeia que inevitavelmente se traduzirá em riscos a outros segmentos, como o agropecuário.

Para o secretário-geral, é importante que os governos ajam de maneira decisiva, uma vez que a inação pode acabar agravando a instabilidade econômica e deteriorando ainda mais as bases do comércio global. “Cada mês de inação corrói ainda mais o sistema da OMC — um sistema que, uma vez perdido, seria quase impossível de reconstruir no atual ambiente geopolítico”, apontou.

By Noticiei Agora

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