Nesta quinta-feira, 4, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as operações militares no sul do Líbano continuarão, mesmo após a divulgação de um cessar-fogo entre Beirute e Tel Aviv.
Katz enfatizou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) não se retirarão da região sul do Líbano, incluindo a estratégica posição do Castelo de Beaufort, recentemente ocupada durante o fim de semana. Ele também mencionou que as centenas de milhares de deslocados não poderão retornar para suas residências.
“Neste momento, as Forças de Defesa de Israel irão prosseguir com suas operações tanto de fogo quanto terrestres, permanecendo na zona de segurança até a linha amarela – que inclui a área ao redor de Beaufort – sem permitir o retorno da população enquanto desmantelam a infraestrutura terrorista presente no território”, declarou Katz em comunicado.
O ministro também ressaltou que o acordo de trégua confere ao Exército israelense a “liberdade” para atacar Beirute caso haja agressões por parte da milícia Hezbollah contra comunidades israelenses.
Em uma mensagem aos residentes do sul libanês, o porta-voz das forças armadas israelenses, Avichay Adraee, alertou nesta quinta que Israel seguirá atacando “instalações e infraestrutura do Hezbollah na região ao sul do rio Zahrani e adjacências”.
A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) relatou nesta manhã que Israel realizou ataques com drones nas localidades de Kfar Tebnit e Tiro. Em resposta, o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, anunciou ter atacado uma base israelense nas “imediações do histórico Castelo de Beaufort”.
Acordo de cessar-fogo
No dia 3 de outubro, Israel e Líbano chegaram a um entendimento para “implementar um cessar-fogo” e estabelecer “zonas-piloto” sob controle das Forças Armadas Libanesas. A declaração conjunta foi divulgada após dois dias de negociações em Washington. O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que a implementação desse acordo poderá iniciar dentro das próximas 24 horas após a aprovação final.
Entretanto, o acordo está condicionado à “cessação total dos disparos pelo Hezbollah e à retirada completa dos seus membros da região ao sul do rio Litani”, situado aproximadamente a 30 km da fronteira com Israel, conforme afirmação contida na declaração assinada pelas três partes envolvidas nas discussões.
As partes concordaram ainda em participar de novas negociações na semana do dia 22 de junho visando um “acordo amplo”, conforme indicado no comunicado.
No entanto, permanecem incertezas sobre pontos específicos como a criação das “zonas piloto onde as Forças Armadas Libanesas terão controle exclusivo”.
Vale lembrar que Israel e Líbano já haviam estabelecido um cessar-fogo em 17 de abril, mas esse compromisso não resultou em uma verdadeira calmaria no terreno, com bombardeios frequentes por parte das forças israelenses.
Mahmud Qomati, um líder influente do Hezbollah, havia afirmado na terça-feira passada que seu grupo rejeita as negociações realizadas em Washington e “não aceitará um cessar-fogo parcial” com Israel.
Escalada das hostilidades
A nova proposta surgiu após ameaças da Guarda Revolucionária do Irã sobre a possibilidade de abrir “novas frentes” e fechar o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio internacional de petróleo, em resposta às ações ofensivas israelenses no Líbano.
A embaixada do Líbano em Washington informou que segundo os termos propostos, os bombardeios israelenses nos subúrbios meridionais de Beirute seriam suspensos em troca da não realização de ataques pelo Hezbollah contra Israel. No entanto, foi ressalvado que esse acordo não encerra o conflito existente no país.
Nesta quarta-feira, o Ministério da Saúde libanês reportou que três hospitais localizados no sul foram atingidos por bombardeios das FDI em menos de uma semana. Os ataques resultaram na morte de nove pessoas e deixaram outras 150 feridas; a maioria das vítimas eram profissionais da saúde.
Dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que uma média de 11 crianças foram mortas ou feridas diariamente devido aos ataques israelenses ao Líbano na última semana. Desde 2 março deste ano – quando o Hezbollah iniciou os disparos contra território israelense após bombardeios direcionados ao Irã – mais de 3.100 pessoas perderam a vida no Líbano.
As informações foram publicadas após o Exército israelense anunciar que considerará toda a região ao sul do rio Zahrani como uma “zona de combate”, abrangendo cerca de 40 km da fronteira libanesa e cobrindo quase 15% do território nacional.
