Elon Musk possui a habilidade de revelar tanto o melhor quanto o pior da natureza humana. Muitos se sentiram tocados ao observar o propulsor Super Heavy “reverter” até sua torre de lançamento, sendo capturado por braços mecânicos que pareciam ter saído de um filme de ficção científica. Por outro lado, a primeira-dama do Brasil expressou de maneira nada sutil os sentimentos que muitos têm ao vê-lo no X, agindo como se fosse apenas mais um usuário comum, embora seja o proprietário da plataforma e tenha 240 milhões de seguidores.
A polarização em torno de Musk, admirado por alguns setores conservadores e criticado por outros progressistas, deve intensificar-se no dia 12, quando ele conduzirá a abertura de capital da SpaceX. Esse IPO pode torná-lo o primeiro trilionário do planeta, um marco que provoca tanto admiração quanto inveja. Além disso, gera discussões acaloradas sobre desigualdade de renda, como se ele fosse um explorador que retira recursos dos menos favorecidos para enriquecer ainda mais ou financiar seus projetos espaciais.
Um trilhão é um valor tão imenso que é difícil para nós, mortais, entender sua magnitude. Contudo, não é algo inédito na história financeira. Quando John D. Rockefeller se tornou o primeiro bilionário do mundo em 29 de setembro de 1916 com a valorização da Standard Oil, essa quantia representava 1,53% do PIB dos Estados Unidos.
Pessoas como Rockefeller, Andrew Carnegie e Henry Ford foram pioneiros ao mostrar que as maiores fortunas pertenciam a empreendedores e não a monarcas ou imperadores como era comum anteriormente.
COMPLEXO DE DEUS
Alguns pesquisadores apontam que Mansa Musa, um rei do Mali que controlou uma parte significativa das reservas mundiais de ouro em sua época, foi o homem mais rico da história. Sua fortuna seria equivalente a aproximadamente 400 bilhões de dólares hoje; no entanto, mesmo antes da abertura do capital da SpaceX, Elon Musk já acumulava o dobro desse valor.
No atual ranking dos dez homens mais ricos do mundo, os oito primeiros são americanos e estão associados à tecnologia avançada; o nono lugar pertence ao francês Bernard Arnault, do setor varejista luxo ou massa, enquanto Warren Buffett ocupa a décima posição como um renomado investidor aposentado.
Musk almeja utilizar sua fortuna em prol da sua meta de resgatar a humanidade das ameaças apocalípticas. Até 2050, seu objetivo é estabelecer uma cidade artificial em Marte capaz de abrigar um milhão de pessoas.
Essa ambição é reflexo da Síndrome de Asperger? Seria uma manifestação da necessidade de poder? Ou até mesmo um complexo divino?
Quem sabe uma combinação dessas possibilidades. Embora nomes como Jeff Bezos, Mark Zuckerberg e Larry Page tenham se tornado populares na era tecnológica, se tivermos que associar nossa época a um nome específico, esse seria Elon Musk – um trilionário admirado e odiado que mantém uma rotina intensa: dorme apenas seis horas por noite e trabalha sete dias por semana. Sua presença causa reações extremas nas pessoas. Para completar, mais de 80% dos satélites lançados ao espaço no ano passado foram feitos pela SpaceX.
Durante uma exposição artística na Alemanha, Musk foi retratado como um cão robô – uma das muitas críticas dirigidas a ele. Entretanto, ele não pretende desistir dos projetos ambiciosos que já marcaram a história da humanidade.
