Em abril, a Rússia deve observar um aumento significativo na arrecadação do imposto sobre empresas do setor petrolífero, com uma previsão de receita que pode chegar a aproximadamente 9 bilhões de dólares. Essa estimativa foi divulgada pela agência de notícias Reuters nesta quinta-feira, 9, em meio à crise provocada pelos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que impactaram o mercado de petróleo e gás.
Esse levantamento representa uma das primeiras indicações concretas de um ganho inesperado para a Rússia, que ocupa a posição de segundo maior exportador de petróleo globalmente, resultado da instabilidade no Oriente Médio.
Conforme a análise feita pela Reuters, que se baseia em dados iniciais sobre produção e preços, espera-se que a arrecadação do imposto sobre extração mineral de petróleo aumente em abril para cerca de 700 bilhões de rublos (cerca de 9 bilhões de dólares), comparado aos 327 bilhões de rublos registrados em março. Este valor representa um crescimento aproximado de 10% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
A situação se agravou com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima responsável por cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás. Como consequência, os contratos futuros do Brent ultrapassaram a marca dos 100 dólares por barril. Na terça-feira, o Kremlin confirmou um aumento significativo na demanda por energia russa proveniente de várias regiões durante as flutuações no mercado.
No mês passado, o preço médio do petróleo bruto Urals da Rússia, utilizado para fins tributários, alcançou US$ 77 por barril em março — o maior patamar desde outubro. Esse valor representa um aumento expressivo de 73% em comparação aos US$ 44,59 por barril registrados em fevereiro e está acima da projeção orçamentária estatal deste ano, que era de US$ 59.
Nos últimos três anos, as exportações russas de petróleo enfrentaram sanções que impuseram limites ao preço que Moscou poderia estabelecer. Entretanto, no último mês, devido à alta nos preços ocasionada pelo conflito com o Irã, os EUA decidiram suspender temporariamente algumas dessas restrições sobre barris já embarcados para exportação.
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, caracterizou essa medida como uma “ação provisória” projetada para “ajudar a estabilizar os mercados globais de energia”. Desde que essa isenção foi implementada em 12 de março, as receitas advindas das exportações petrolíferas da Rússia aumentaram consideravelmente.
