A resposta da diplomacia do Brasil ao pacto entre Estados Unidos e Irã

No dia 8 de novembro, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil manifestou sua preocupação em relação à frágil trégua estabelecida entre Estados Unidos, Israel e Irã, que apresenta diversas inconsistências e potenciais violações desde seu início.

Em comunicado oficial, o Itamaraty expressou sua “satisfação com a possibilidade de avançar nas negociações para um acordo de paz abrangente”, solicitando que todas as partes evitem ações militares ou retóricas provocativas.

+ Líder iraniano critica ataques israelenses ao Líbano como obstáculos às negociações

O texto divulgado pelo governo brasileiro se posiciona claramente sobre um dos principais pontos de conflito entre os países envolvidos. Desde a assinatura do acordo, o Irã tem denunciado que os contínuos ataques israelenses ao Líbano infringem a trégua, uma alegação que foi imediatamente negada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, havia mencionado anteriormente que a proposta iraniana de dez pontos poderia servir como uma “base viável para futuras negociações”. Em resposta, Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, declarou que esses pontos constituem “princípios gerais” que poderiam facilitar o avanço das tratativas. Entretanto, surgiram desavenças: segundo a Casa Branca, o plano em discussão diverge da versão apresentada publicamente pelo regime iraniano.

Masoud Pezeshkian também afirmou que os ataques direcionados à milícia Hezbollah demonstram “enganos e descumprimento” e tornam as negociações “sem sentido”, conforme publicado em sua conta no X (antigo Twitter). Ele ainda ressaltou: “Nossas mãos permanecem no gatilho. O Irã jamais abandonará seus irmãos libaneses”.

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A nota do Itamaraty enfatizou “a necessidade de que a cessação das hostilidades na região se estenda ao Líbano, onde intensos bombardeios israelenses têm causado uma grave crise humanitária, resultando em centenas de mortes e no deslocamento forçado de grande parte da população”.

Em outro comunicado emitido algumas horas depois e com um tom ainda mais contundente, o governo brasileiro condenou os ataques realizados por Israel contra o Líbano na quarta-feira, que resultaram em pelo menos 254 óbitos e 1.165 feridos.

A pasta afirmou: “A intensificação dessa ofensiva ocorre logo após o anúncio de cessar-fogo no conflito armado no Oriente Médio e ameaça levar a região a uma nova escalada de violência e instabilidade”. O Brasil pediu que Israel suspendesse imediatamente suas operações militares e retirasse suas forças do território libanês.

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Fragilidade da Trégua

A trégua estava prestes a ruir já na quarta-feira, com Teerã e Israel ameaçando reiniciar as hostilidades. O Paquistão, atuando como mediador nas conversações entre Estados Unidos e Irã, fez um apelo às partes para que exercessem “moderação” após bombardeios massivos do Exército israelense sobre o Líbano e novos ataques da República Islâmica contra vários países do Golfo.

<p“O registro de violações do cessar-fogo em algumas áreas da zona de conflito prejudica o andamento do processo de paz”, destacou o primeiro-ministro paquistanês Sharif. Seu país será sede das negociações entre Irã e Estados Unidos na próxima sexta-feira.

A Casa Branca informou que Donald Trump enviará uma equipe negociadora para Islamabad liderada pelo vice-presidente JD Vance, pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, seu genro.

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Após 39 dias de conflitos, tanto Israel quanto os Estados Unidos interromperam os bombardeios contra o Irã; contudo, a situação na região continua tensa. As Forças Armadas israelenses afirmaram estar respeitando o cessar-fogo; no entanto, Benjamin Netanyahu alertou: “Isso não significa o fim da campanha; é apenas mais um passo rumo à realização dos nossos objetivos”.

No Líbano, envolvido na guerra devido aos ataques da milícia Hezbollah contra Israel, os bombardeios persistiram e foram condenados pela ONU, Iraque e Jordânia. O grupo armado reivindicou ter “direito de resposta”, mas não anunciou nenhum ataque contra Israel desde o início da trégua.

A Guarda Revolucionária do Irã também lançou ameaças de retaliação. Nesta quarta-feira, o Irã decidiu fechar novamente o Estreito de Ormuz e advertiu sobre a possibilidade de romper com o cessar-fogo caso Israel não interrompa suas ações militares no Líbano. Teerã ainda afirmou não confiar nas promessas dos Estados Unidos e declarou estar “com o dedo no gatilho”.

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By Noticiei Agora

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