O cenário de conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel provocou uma das mais severas crises no mercado de petróleo das últimas décadas, levando a Agência Internacional de Energia (IEA) a revisar suas previsões para 2026, descartando completamente a expectativa de um superávit.
Atualmente, a entidade aponta que o mundo está prestes a enfrentar um déficit de petróleo, em decorrência do colapso parcial da produção no Oriente Médio e restrições na movimentação pelo Estreito de Hormuz, que é vital para o abastecimento energético global.
Em um relatório publicado na quarta-feira (13), a IEA informou que as perdas acumuladas na produção dos países da região do Golfo já ultrapassaram 1 bilhão de barris. O mercado está temporariamente privado de mais de 14 milhões de barris por dia, situação descrita pela agência como “sem precedentes”.
Essa nova avaliação representa uma mudança brusca nas projeções energéticas. Em dezembro do ano passado, a agência previa um superávit próximo a 4 milhões de barris diários para 2026. No último mês, ainda estimava uma sobra de 410 mil barris por dia.
Agora, a expectativa é que haja um déficit diário de 1,78 milhão de barris no próximo ano.
Os efeitos dessa crise já são visíveis nos preços do petróleo.
Após ataques à infraestrutura energética iraniana e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz — corredor marítimo responsável por cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente — o preço do barril ultrapassou os US$ 100.
Retirada recorde dos estoques gera apreensão no mercado
A IEA destacou que atualmente há uma diminuição histórica nos estoques estratégicos e comerciais globais. Apenas nos meses de março e abril, os estoques caíram em 246 milhões de barris.
Para mitigar os efeitos desse choque, os países membros da agência organizaram em março um esforço emergencial para liberar 400 milhões de barris das reservas estratégicas, sendo esta a maior operação desse tipo já realizada. Até agora, cerca de 164 milhões de barris foram injetados no mercado.
Entretanto, analistas acreditam que essa medida apenas alivia uma crise estrutural gerada pela centralização da produção petrolífera no Oriente Médio.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) também reconheceu recentemente uma redução adicional na sua produção em abril devido às dificuldades logísticas e aos impactos da guerra nas exportações da região.
Informações da Reuters indicam que a Opep+ produziu somente 33,19 milhões de barris por dia em abril, bem abaixo dos necessários 42,7 milhões para equilibrar o mercado até 2026.
Estreito de Ormuz se torna foco principal da crise
Atualmente, o Estreito de Ormuz é visto como o epicentro das preocupações do mercado. Essa rota marítima entre Irã e Omã é responsável pelo transporte do petróleo extraído por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Catar.
Embora não tenha ocorrido um fechamento formal total da passagem, as inseguranças militares na área reduziram significativamente o tráfego dos petroleiros.
As empresas marítimas aumentaram os custos com seguros e muitas embarcações têm evitado navegar pela região.
A IEA trabalha com uma previsão otimista em que o fluxo marítimo começaria a ser restabelecido gradualmente no terceiro trimestre deste ano.
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