O FBI está conduzindo uma investigação contra o ex-diretor de contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, devido a suspeitas de vazamento de informações confidenciais. O inquérito foi iniciado após Kent pedir demissão por discordar da guerra liderada pelo governo de Donald Trump contra o Irã, conforme divulgado pelo portal de notícias Semafor nesta quarta-feira, 18.
A notícia foi confirmada posteriormente por veículos como a CBS e o The New York Times, que apontaram a possibilidade de Kent estar envolvido na divulgação de informações sensíveis. Embora os detalhes sobre os vazamentos não tenham sido revelados, o inquérito se baseia em comentários feitos por Taylor Budowich, ex-vice-chefe de gabinete da Casa Branca, que acusou o ex-diretor de estar frequentemente envolvido em vazamentos de segurança.
“Joe Kent é um egomaníaco desvairado que frequentemente estava no centro de vazamentos de segurança nacional, embora raramente (ou nunca?) produzisse qualquer trabalho de fato”, afirmou Budowich em uma postagem na rede social X na terça-feira, 17, logo após a renúncia de Kent.
Essa investigação levanta questionamentos sobre possíveis represálias do governo contra autoridades que desafiam Trump. Desde o retorno do republicano à Casa Branca em janeiro de 2025, o FBI e o Departamento de Justiça têm sido acusados de mirar críticos e oponentes políticos do presidente. Analistas acreditam que várias investigações foram iniciadas sem evidências suficientes para sustentar acusações criminais formais.
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Renúncia controversa e divisões internas
Joe Kent, de 45 anos e ex-membro das forças especiais Boinas Verdes, construiu uma carreira participando de diversas missões de combate no Afeganistão e Iraque. Nomeado diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo (NCTC) em julho de 2025, Kent trabalhou na análise e resposta de Washington a possíveis ameaças externas. Ao renunciar na terça-feira, ele afirmou que não podia apoiar a guerra em curso contra o Irã “em sã consciência”.
“O Irã não representava uma ameaça iminente para nossa nação, e está claro que começamos essa guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby nos Estados Unidos”, declarou Kent.
A renúncia do ex-diretor, que fazia parte do grupo MAGA de apoiadores de Trump desde o início, expôs divisões na base de Trump e gerou reações acaloradas de membros do governo. Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, afirmou que Kent fez “afirmações falsas” em sua carta de renúncia e classificou como “insultante e ridícula” a sugestão de que os Estados Unidos foram influenciados por Israel para entrar no conflito. O próprio presidente demonstrou hostilidade em relação ao veterano, dizendo que ele era “muito fraco em segurança” e que sua saída era algo “positivo”.
