Cuba garante que indivíduos falecidos em confronto com embarcação dos EUA estavam tentando entrar ilegalmente no país

O governo de Cuba afirma que o objetivo da embarcação oriunda dos Estados Unidos que entrou em tiroteio com sua Guarda Costeira era se infiltrar na ilha e desencadear “atos de terrorismo”. As informações foram divulgadas por Havana horas após o incidente, ocorrido na quarta-feira, 25. Sete dos dez passageiros envolvidos no incidente foram identificados, com as autoridades apontando-os como cubanos que viviam em território americano, conhecidos por “atividades criminosas e violentas”. 

De acordo com o Ministério do Interior, um barco com o registro FL7726SH, referente ao estado americano da Flórida, foi interceptado pelas forças de segurança ao se aproximar de Cayo Falcones, na costa norte de Cuba. Havana afirma que os dez passageiros da embarcação abriram fogo ao perceber a aproximação dos agentes, levando a um tiroteio que resultou na morte de quatro pessoas e deixou outras sete feridas.

Entre os envolvidos, dois passageiros — Amijail Sánchez González e Leordan Enrique Cruz Gómez — já eram procurados pelas autoridades cubanas por envolvimento na “promoção, planejamento, organização, financiamento, apoio ou comissão de ações realizadas no território nacional ou em outros países, em conexão com atos de terrorismo”.

Também foram identificados Conrado Galindo Sariol, José Manuel Rodriguez Castelló, Cristian Ernesto Acosta Guevara, Roberto Azcorra Consuegra e Michel Ortega Casanova, com este último sendo morto durante os confrontos.

Segundo Misael Ortega Casanova, irmão de Michel, o expatriado cubano havia desenvolvido um desejo “obsessivo e diabólico” pela liberdade de Cuba. Em entrevista à agência de notícias Associated Press, ele contou que o familiar trabalhou por mais de 20 anos como caminhoneiro nos Estados Unidos, deixando sua mãe, esposa e filha para trás em busca de seu objetivo.

“Eles ficaram tão obcecados que não pensavam nas consequências nem em suas próprias vidas”, conta Misael.

Na embarcação, os agentes cubanos apreenderam fuzis de assalto, pistolas, artefatos explosivos improvisados, ​​coletes à prova de balas, miras telescópicas e uniformes camuflados. Havana também disse ter prendido Duniel Hernández Santos, um cubano que já estava na ilha. Ele teria sido enviado dos Estados Unidos para ‘garantir a recepção da infiltração armada’, confessando as ações após ser detido pelas autoridades.

O episódio ocorre em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Cuba, com Washington pressionando a nação insular através de um embargo ao envio de petróleo, desencadeando uma crise no fornecimento de energia. 

O secretário de Estado Marco Rubio disse ter sido informado a respeito do tiroteio antes da divulgação oficial pelo governo cubano. O republicano afirmou que o caso é investigado pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos e garantiu que não era uma operação coordenada por Washington. Ele expressou o desejo de verificar a narrativa oficial de Havana e disse que não faria especulações sobre o caso.

By Noticiei Agora

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