Na quinta-feira, 23, o príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi, que vive no exílio há quase cinco décadas após a derrubada da monarquia, foi alvo de tinta lançada em suas costas ao deixar um prédio após uma coletiva de imprensa em Berlim, na Alemanha. A polícia prendeu imediatamente o responsável pelo ato.
Após ser atingido pelo líquido, Pahlavi continuou seu caminho. Em sua coletiva, o príncipe abordou a situação atual do Oriente Médio e declarou que o regime do Irã “nunca esteve tão vulnerável quanto agora”, uma afirmação que ele repetiu diversas vezes durante os quase dois meses de conflitos recentes.
Perfil de Reza Pahlavi
Com 65 anos, Reza Pahlavi é descendente do último xá do Irã e representa uma dinastia que foi deposta pela Revolução Islâmica de 1979. Ele voltou a ganhar notoriedade no contexto da maior onda de protestos que o país enfrentou nos últimos anos, iniciados em 28 de dezembro de 2025. Desde sua adolescência no exílio, ele busca se afirmar como uma alternativa ao regime teocrático dos aiatolás e procura se posicionar como líder da oposição iraniana, que se encontra dividida.
Ao longo dos anos, Pahlavi solidificou sua imagem como um crítico feroz do governo clerical. Antes do início dos conflitos entre EUA e Irã, ele intensificou suas atividades nas redes sociais e em canais de comunicação em persa, utilizando vídeos e entrevistas para engajar apoiadores tanto dentro quanto fora do país. Durante os protestos, suas mensagens reverberaram pelas ruas, com manifestantes gritando apoio e entoando a frase “Pahlavi voltará!”.
No entanto, o príncipe herdeiro continua sendo uma figura controversa. Ele evita fazer críticas abertas ao governo de seu pai, que ficou marcado pela atuação da temida polícia secreta Savak, e enfrenta resistência por parte de minorias étnicas e setores da oposição que rejeitam qualquer associação com a antiga dinastia.
