O Serviço Federal de Segurança (FSB), principal agência de segurança interna e contraespionagem da Rússia, anunciou nesta quinta-feira, 10, a detenção de um segurança russo que trabalhava na embaixada britânica em Moscou, alegando que ele havia sido contratado pela Ucrânia para executar um ataque de “bandeira falsa” contra o embaixador do Reino Unido.
Operações de bandeira falsa são realizadas para culpar um oponente, criando um pretexto ou desviando a responsabilidade do verdadeiro autor. O termo original vem de táticas navais antigas, nas quais embarcações usavam a bandeira de outra nação para ocultar sua identidade antes de atacar.
Em um comunicado, o órgão afirmou que o agente havia sido recrutado por um blogueiro ucraniano que trabalhava com o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), a agência de inteligência do país, para acompanhar de perto as pessoas na embaixada e tomar notas sobre o esquema de segurança.
O país de Volodymyr Zelensky planejava “utilizar as informações obtidas para preparar e executar atos de sabotagem e ataques terroristas contra o chefe da missão diplomática britânica e outros diplomatas, e depois acusar a parte russa”, segundo a nota do FSB.
Kiev e Londres não responderam às acusações.
Tensões elevadas
O Reino Unido é um dos aliados e apoiadores mais próximos da Ucrânia, com bilhões de dólares em ajuda militar e financeira fornecida a Kiev.
As relações entre Moscou e Londres já eram frias muito antes de Vladimir Putin iniciar a ofensiva contra a nação vizinha em 2022, deterioradas por vários escândalos de espionagem e assassinatos, incluindo o envenenamento, em 2006, do ex-espião russo Alexander Litvinenko em Londres e a tentativa de envenenamento, em 2018, do agente duplo Sergei Skripal em Salisbury.
Na quarta-feira, promotores do Reino Unido anunciaram que acusaram um britânico de 31 anos por supostamente ter estabelecido contato com um representante do serviço de inteligência militar russo GRU.
Antes disso, a diplomacia russa chegou a ameaçar atingir instalações militares do Reino Unido caso o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, siga em frente com o compartilhamento de tecnologia e informações para fabricar o míssil Scalp, permitindo que Kiev trabalhe com a França para produzir sua própria versão do armamento.
