Na última quinta-feira, dia 27, a Rússia emitiu um aviso de que as instalações militares do Reino Unido se tornariam alvos legítimos, caso o governo britânico decidisse fornecer tecnologia de mísseis à Ucrânia.
A declaração foi feita após o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, ter anunciado que iria compartilhar com a Ucrânia os projetos para a fabricação do míssil Scalp. Este míssil é uma versão francesa do Storm Shadow, um armamento britânico que permitirá à Ucrânia colaborar com a França na produção de sua própria versão deste tipo de armamento.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou: “Como temos ressaltado anteriormente, qualquer envio de tropas estrangeiras para a Ucrânia que interfira nas operações militares e na busca por uma solução duradoura é totalmente inaceitável. Tais forças serão consideradas alvos militares legítimos”.
Ela também alertou que tanto o Reino Unido quanto a França estavam “brincando com fogo” e enfatizou que Moscou responderia a ataques realizados com armas britânicas alvejando instalações militares britânicas dentro e fora da Ucrânia.
“A responsabilidade por isso recairá sobre os políticos ocidentais que escolheram uma nova escalada”, acrescentou Zakharova.
A porta-voz também criticou os exercícios militares conjuntos programados para outubro e novembro pela “Coalizão dos Dispostos”, envolvendo países da União Europeia que fazem fronteira com a Ucrânia. Ela apontou que essas manobras representam “mais um passo em direção a um envolvimento ainda maior da Otan”, uma aliança militar ocidental percebida por Vladimir Putin como uma ameaça existencial ao longo dos últimos quatro anos de conflito no Leste Europeu.
Na semana anterior, o Kremlin já havia acusado Londres de obstruir as negociações de paz ao fornecer informações à Ucrânia necessárias para a fabricação de mísseis.
“O Reino Unido está sistematicamente provocando tensões e elaborando estratégias para impedir até mesmo o mínimo progresso nas conversações de paz”, disse o porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov. Ele também mencionou que Moscou atacaria e “destruiria” as instalações de produção do míssil em solo ucraniano.
‘Arma secreta’ e ajuda
O míssil em questão, conhecido como Storm Shadow pelos britânicos e Scalp pelos franceses, é produto de uma colaboração entre as duas nações europeias.
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Esse míssil de cruzeiro já está sendo utilizado no combate contra alvos militares russos, especialmente contra estruturas fortificadas como bunkers e centros de comando – algo extremamente desafiador para os drones mais leves empregados pela Ucrânia para atingir alvos mais expostos, como refinarias e depósitos de combustíveis.
No entanto, autorizar a produção desse armamento em território ucraniano não resolve todas as questões pendentes, visto que o país ainda depende de seus aliados para obter armamentos mais sofisticados, principalmente sistemas defensivos como o Patriot americano. Washington tem demonstrado resistência em aumentar esses envios devido à diminuição dos estoques após um extenso uso durante conflitos com o Irã.
No dia 24, enquanto líderes europeus visitavam Kiev em comemoração ao 35º aniversário da independência ucraniana, a União Europeia (UE) anunciou um novo pacote de ajuda no valor de 6,1 bilhões de euros (aproximadamente R$ 36 bilhões).
A referida ajuda faz parte de um empréstimo total de 90 bilhões de euros concedido à Ucrânia. Desses recursos, mais da metade será direcionada à assistência militar, incluindo melhorias nas defesas aéreas e aquisição de mísseis e munições.
A Comissão Europeia justificou essa liberação financeira afirmando que fortalecer as defesas ucranianas se tornou cada vez mais urgente. O bloco destacou que a Rússia realizou cerca de 400 ataques com mísseis apenas no mês passado.
