A controvérsia envolvendo Juliano Cazarré, após suas declarações no programa “GloboNews Debate”, continua a gerar repercussões. O ator afirmou, durante a transmissão ao vivo, que o número de homens assassinados por mulheres é maior do que o oposto, provocando a indignação da atriz Leandra Leal, que se manifestou em suas redes sociais.
Leal expressou seu descontentamento, rebatendo as afirmações de Cazarré e fazendo um apelo às emissoras de televisão sobre a importância da checagem de informações em tempo real. Para ela, o risco associado a programas de debate é permitir que os participantes apresentem dados distorcidos para sustentar suas opiniões sem serem corrigidos no momento.
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“Não é aceitável que informações falsas sejam veiculadas. A apresentação de dados incorretos em programas jornalísticos pode ser extremamente prejudicial. Uma informação distorcida, uma vez divulgada, pode ser amplificada pela internet como se fosse verdade”, enfatizou a atriz. Ela complementou sua fala dizendo que “uma mentira repetida diversas vezes jamais se tornará uma verdade”.
Para contrabalançar a desinformação apresentada, Leandra compartilhou uma análise baseada no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, elaborada pela jornalista Carol Pires. Os dados oficiais revelam uma realidade distinta daquela mencionada por Cazarré.
Cenário alarmante revelado pelos dados
No Brasil, os principais responsáveis pelos homicídios de mulheres são os próprios homens (93% das ocorrências). Ao analisar as estatísticas gerais de mortes por qualquer motivo, foram registradas 3.230 mulheres assassinadas por homens em comparação com 1.780 homens mortos por mulheres. O material compartilhado por Leandra explica o chamado “truque estatístico” utilizado por grupos masculinistas para criar confusão entre a população.
Esses grupos comparam o total de homens assassinados por mulheres (independente da motivação) com os casos oficialmente registrados como feminicídio (que são crimes motivados pelo ódio à condição feminina, contabilizando 1.568 vítimas em 2025).
A postagem caracteriza essa comparação como “igualar uma laranja inteira a apenas um gomo”, escondendo assim a verdadeira epidemia de violência contra as mulheres. Além disso, os dados ressaltam um aspecto crucial sobre os casos em que mulheres matam seus parceiros: na maioria das vezes, isso ocorre não por dominação ou ódio, mas sim em situações de legítima defesa após anos de agressões e violência doméstica. A declaração feita por Cazarré surgiu enquanto ele tentava argumentar que a violência no Brasil afeta todos igualmente.
O artista mencionou que cerca de 2.500 homens teriam sido assassinados por parceiras em comparação com aproximadamente 1.500 mulheres mortas. Durante o programa, a âncora Julia Duailibi interveio lembrando que a violência “não atinge todos de maneira igual”, enquanto Vera Iaconelli e Ismael dos Anjos expressaram surpresa diante dos números apresentados sem base na realidade.
