Israel retirou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, de sua lista de alvos a pedido do Paquistão. De acordo com informações obtidas pela agência de notícias, Islamabad solicitou que Washington poupasse ambos líderes para possíveis negociações sobre um cessar-fogo.
“Os israelenses tinham as coordenadas deles e queriam eliminá-los. Dissemos aos Estados Unidos que, se eles também fossem eliminados, não haveria mais ninguém com quem conversar. Por isso, os Estados Unidos pediram a Israel que recuasse”, afirmou uma fonte paquistanesa.
O jornal americano The Wall Street Journal, primeiro a confirmar a informação, afirmou que as duas autoridades iranianas foram retiradas da lista de alvos de Israel por até quatro ou cinco dias, enquanto são discutidas possíveis negociações de paz. Vários altos funcionários iranianos foram mortos desde o início da guerra, incluindo o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o chefe de segurança Ali Larijani. Nesta quinta, foi abatido o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica.
Araghchi, um dos diplomatas mais experientes do Irã, liderava a delegação iraniana nas negociações por um acordo nuclear com os Estados Unidos — cujo fracasso, segundo o presidente americano Donald Trump, foi o motivo da ofensiva militar lançada contra o território iraniano em 28 de fevereiro.
O Paquistão tem se posicionado como mediador entre Estados Unidos, Israel e Irã. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que há negociações indiretas em curso entre Washington e Teerã, e que Islamabad atua como intermediário.
“Na realidade, estão acontecendo conversas indiretas entre Estados Unidos e Irã por meio de mensagens transmitidas pelo Paquistão”, escreveu Dar, que também é vice-primeiro-ministro, no X (antigo Twitter). “No atual contexto, os Estados Unidos compartilharam 15 pontos que estão sendo discutidos pelo Irã. Turquia e Egito, entre outros, também estão apoiando a iniciativa.”
Na terça-feira, a Casa Branca já havia confirmado que o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, telefonou para Trump para discutir a guerra no Oriente Médio.
