Israel bloqueia embarcação rumo a Gaza e prende 211 ativistas, afirmam organizadores

Na última quinta-feira, 30, forças israelenses interceptaram mais de 20 barcos em águas internacionais, próximos à costa da Grécia, que compunham uma flotilha destinada a fornecer ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Segundo informações divulgadas tanto por autoridades quanto pelos organizadores do comboio, pelo menos 211 ativistas foram detidos.

A representante da Global Sumud na França, Hélène Coron, confirmou o número de detidos. Inicialmente, o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia informado que o total era de 175 pessoas.

+ MSF denuncia uso da privação de água como arma por Israel contra palestinos em Gaza

O grupo afirmou que os agentes israelenses apontaram armas automáticas para os membros da tripulação e ordenaram que se deslocassem para a parte frontal das embarcações. Em videoconferência, Coron mencionou que a abordagem ocorreu a uma distância “sem precedentes” de Israel, perto da Ilha de Creta.

Onze dos detidos tinham nacionalidade francesa, conforme informou Coron. O governo italiano também fez um apelo pela libertação de seus cidadãos, embora não tenha fornecido um número exato dos detidos italianos.

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O Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou a ação como um combate a uma “flotilha de propaganda”, alegando ter encontrado “preservativos e drogas” nas embarcações. Essa declaração foi refutada pelo porta-voz da Global Sumud, que considerou as alegações como “desinformação”.

Anteriores tentativas de envio de comboios internacionais com ativistas – incluindo figuras notórias como Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila – também foram frustradas pela Marinha israelense em agosto e setembro de 2025 nas proximidades do Egito e Gaza.

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A abordagem realizada pelas forças israelenses foi considerada ilegal por organizadores e pela Anistia Internacional, gerando reações negativas em várias partes do mundo. Os ativistas foram detidos e posteriormente expulsos por Israel.

As autoridades israelenses controlam todos os acessos à Faixa de Gaza e enfrentam acusações da ONU e diversas ONGs sobre a restrição à entrada de suprimentos no território. Essa situação resultou em uma grave escassez desde o início do conflito na região em outubro de 2023.

Além do bloqueio, um relatório recente da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa as autoridades israelenses de empregarem “a privação intencional de água” como estratégia contra os palestinos. Essa prática ocorre ao mesmo tempo em que há destruição de instalações médicas e residências, além da morte de civis e deslocamentos forçados.

A água é reconhecida como um direito humano fundamental; sua negação constitui violação das normas do Direito Internacional Humanitário e das convenções de Genebra, sendo caracterizada como crime de guerra por especialistas da ONU.

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“As autoridades israelenses são cientes de que sem acesso à água a vida se extingue. Mesmo assim, têm destruído sistematicamente a infraestrutura hídrica em Gaza enquanto impedem a entrada contínua dos suprimentos necessários”, alertou Claire San Filippo, coordenadora de emergência da MSF.

No início deste mês, tanto as Nações Unidas quanto a União Europeia revelaram que será necessário um investimento estimado em US$ 71,4 bilhões (cerca de R$ 355 bilhões) para reconstruir Gaza nos próximos dez anos, segundo uma análise realizada em parceria com o Banco Mundial.

Essa avaliação leva em conta os danos materiais causados pela guerra, as perdas econômicas e as necessidades relacionadas à recuperação do território palestino após dois anos do conflito entre Israel e Hamas. Nos primeiros 18 meses desse período pós-guerra, estima-se que serão requeridos cerca de US$ 26,3 bilhões (R$ 130,7 bilhões) para restaurar serviços essenciais e reconstruir infraestruturas básicas.

Os prejuízos diretos à infraestrutura totalizam aproximadamente US$ 35,2 bilhões, enquanto as perdas econômicas e sociais alcançam US$ 22,7 bilhões. Os setores mais afetados incluem “habitação, saúde, educação, comércio e agricultura”.

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O estudo também revela que mais de 371 mil lares foram danificados ou destruídos durante o conflito. Quase todas as escolas palestinas estão impactadas; mais da metade dos hospitais encontra-se fora de operação e a economia da região sofreu uma retração significativa de 84%.

Cerca de 1,9 milhão de indivíduos foram deslocados devido à guerra; mais da metade da população perdeu suas moradias agravando assim ainda mais a crise humanitária. Desde os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 até agora, dados médicos indicam que pelo menos 72 mil palestinos perderam a vida e outros 172 mil ficaram feridos.

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By Noticiei Agora

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