Em 22 de novembro, Andrei Rodrigues, o diretor-geral da Polícia Federal, anunciou que o governo brasileiro decidiu revogar as credenciais de um agente dos Estados Unidos em resposta à ação contra um adido da PF em Miami realizada nesta semana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se pronunciou a respeito, elogiando a postura da PF. “Parabéns pela sua posição em relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles”, declarou.
Compreendendo a reciprocidade
Reciprocidade é um conceito fundamental nas relações internacionais, embora não constitua uma lei formal. Trata-se de um princípio que estabelece que ações benéficas ou punitivas de um Estado devem ser correspondidas de maneira equivalente por outro.
O termo ganhou destaque no último ano após os Estados Unidos terem imposto tarifas sobre as importações brasileiras. Em abril do ano passado, foi aprovada a Lei da Reciprocidade Econômica, que confere ao Brasil o direito de adotar medidas compensatórias em resposta a decisões unilaterais de outras nações que possam afetar sua economia. Essa iniciativa foi considerada pelo governo como uma forma de proteger a soberania nacional.
No caso em questão, os Estados Unidos exigiram, na segunda-feira (20), que um delegado brasileiro atuante em Miami deixasse o país devido à sua participação na prisão de Alexandre Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), condenado a 16 anos de reclusão por seu envolvimento em um esquema golpista. O governo Trump alegou que o agente da PF “manipulou o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e prolongar uma caça às bruxas políticas nos EUA.” Em resposta a isso, a PF suspendeu as credenciais do policial americano no dia 22.
Na semana anterior, Ramagem havia sido detido pelo serviço de imigração em Orlando, Flórida. A Polícia Federal informou que sua prisão resultou da colaboração internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. Contudo, ele foi liberado dois dias depois por razões não esclarecidas pelas autoridades norte-americanas. Em seguida, publicou um vídeo nas redes sociais atacando a atuação da PF e agradecendo ao governo Trump.
