Um navio russo está a caminho de Cuba carregado com centenas de milhares de barris de petróleo bruto, em meio à crise econômica e humanitária agravada pelo bloqueio à importação do combustível imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo dados de monitoramento marítimo, a embarcação Anatoly Kolodkin partiu do porto de Primorsk, na Rússia, em 8 de março com cerca de 730 mil barris de petróleo e tem previsão de chegar ao porto de Matanzas, no norte da ilha, por volta de 23 de março.
O navio está sob sanções dos Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido, o que aumenta as tensões em torno da operação.
Além do navio russo, o Sea Horse, com bandeira de Hong Kong, transporta cerca de 200 mil barris de diesel com destino à ilha. Atualmente, a embarcação estava no noroeste do Caribe, a cerca de 1.500 km da costa cubana, segundo os dados.
Crise energética
O envio dos navios ocorre enquanto Cuba enfrenta apagões frequentes e escassez de combustível, devido à interrupção das exportações de petróleo da Venezuela. Trump intensificou a pressão sobre Havana ao ameaçar impor sanções a países que comercializem petróleo com o governo cubano e declarar que a ilha não receberia mais petróleo ou dinheiro.
No início do mês, o presidente americano afirmou que Cuba “vai cair muito em breve” e instou o país a “chegar a um acordo” ou enfrentar as consequências. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que qualquer tentativa dos Estados Unidos de tomar o país enfrentaria uma “resistência inabalável”.
A maior parte dos habitantes de Cuba ficou sem energia na segunda-feira, quando o primeiro colapso da rede elétrica em todo o país os obrigou a cozinhar com gás, à luz de tochas e velas. O governo reduziu o horário de aulas em escolas, adiou eventos esportivos e o lixo se acumula devido à falta de combustível para os caminhões de coleta. Na terça-feira à tarde, a energia havia voltado para cerca de 55% dos clientes na capital, Havana, e em algumas localidades nas regiões oeste e centro-leste do país.
