A Polícia Federal comunicou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que não conseguiu realizar o depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dentro do prazo de 10 dias estipulado por ele.
Essa oitiva é parte da investigação relacionada a uma alegada calúnia feita por Flávio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a PF, houve tentativas de contato com a defesa do senador “desde o primeiro momento”, incluindo a proposta de realizar uma videoconferência. No entanto, os advogados solicitaram um prazo adicional para a realização do depoimento.
No ofício enviado à Polícia Federal, a defesa de Flávio esclareceu que não houve “negligência”, mas sim uma “incompatibilidade de agendas”, resultante do curto período estabelecido para a diligência e das atividades relacionadas à pré-campanha presidencial do Peticionário.
Os advogados requisitaram um novo prazo para o depoimento e sugeriram “a disponibilização de novas datas com antecedência adequada para agendar a diligência”.
A apuração teve início em abril, após solicitação do Ministério da Justiça, motivada por uma publicação feita por Flávio no X, logo após a prisão de Maduro em janeiro.
No post, o senador escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.
A PF chegou a finalizar sua investigação e constatou que ficou “claro” que Flávio tentou associar Lula aos crimes mencionados na postagem.
O documento afirma: “É evidente que o Senador sugere que a delação seria realizada por Nicolas Maduro, e segundo sua perspectiva, os delitos pelos quais o Presidente Lula seria delatado estão elencados na sequência da publicação”.
A Procuradoria Geral da República argumentou que era necessário ouvir Flávio antes de qualquer avaliação sobre uma possível denúncia, ponto que foi aceito por Moraes.
