A força policial da Irlanda do Norte recorreu a jatos d’água para dispersar protestos anti-imigração que tomaram as ruas após um ataque com faca em Belfast no início da semana. Os conflitos, que já se estendiam por dois dias, intensificaram-se na noite de quarta-feira, 10, quando grupos de manifestantes causaram tumultos, incluindo indivíduos mascarados que atearam fogo em veículos e residências.
Imagens divulgadas nas plataformas sociais capturaram o momento em que a polícia utilizou canhões de água contra os protestantes, que reagiram arremessando objetos em direção aos carros da polícia. Ao longo desta semana, pelo menos 16 indivíduos foram detidos durante os distúrbios, que resultaram em 12 agentes de segurança feridos.
O secretário de Estado para a Irlanda do Norte, Hilary Benn, descreveu os protestos como sendo de natureza “racista”, ressaltando que os ataques são direcionados a pessoas com base na cor da pele. Sua declaração se seguiu a relatos de invasões e incêndios em residências pertencentes a minorias étnicas.
Sentimento anti-imigrantes
A origem das manifestações remonta ao ataque com faca ocorrido na Kinnaird Avenue, no norte de Belfast, na noite de segunda-feira, 8. Vídeos disponíveis online mostram Stephen Ogilvie, um homem na faixa dos 40 anos, sendo agredido no rosto. O autor do ataque, Hadi Alodid, um imigrante sudanês, enfrenta acusações de tentativa de homicídio.
No episódio, Ogilvie sofreu a perda do olho esquerdo. Apesar da família da vítima ter emitido um comunicado pedindo que o incidente não fosse utilizado para “incitar hostilidade”, o ocorrido deu origem a uma série de protestos violentos na Irlanda do Norte. Conflitos foram relatados nas cidades de Belfast, Derry e Coleraine no dia seguinte.
