Na última quinta-feira, 23, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, fez uma severa advertência aos Estados Unidos em relação ao que considerou ser um envio “inaceitável” de armamentos à Ucrânia. A declaração ocorreu durante um encontro com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Manila, nas Filipinas.
Ao longo da conversa, Lavrov criticou a “política desestabilizadora” adotada por diversos países europeus, que, segundo ele, buscam infligir à Rússia uma “derrota estratégica”. O chanceler russo reafirmou ainda a disposição da Rússia em buscar uma “solução política e diplomática para o conflito”.
O Departamento de Estado dos EUA divulgou uma nota mencionando que os dois líderes discutiram “a relação entre EUA e Rússia e a urgência de encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia”, que teve início em fevereiro de 2022.
Este encontro foi realizado durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e marcou o primeiro contato entre Lavrov e Rubio desde setembro de 2025. Esse diálogo acontece em um contexto onde os Estados Unidos diminuíram sua atuação como mediadores no conflito, concentrando esforços na guerra no Oriente Médio.
No mesmo dia, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, anunciou ter mantido conversas com os representantes americanos Steve Witkoff e Jared Kushner com o intuito de reativar as negociações de paz. Em uma postagem na rede X (ex-Twitter), Zelensky descreveu a interação como “positiva e importante”, destacando o objetivo de revitalizar a diplomacia e aproximar as partes em busca de um acordo pacífico.
Bombardeios ucranianos
No mesmo dia, bombardeios realizados pela Ucrânia contra alvos na Rússia e na Crimeia ocupada resultaram na morte de três pessoas, incluindo uma criança, além de ferir outras oito, conforme relataram autoridades locais.
Na região de Belgorod, que faz fronteira com a Ucrânia, um homem perdeu a vida e outro ficou ferido após um drone colidir com um veículo. Em Voronej, outra cidade russa, uma criança de apenas três anos morreu devido ao incêndio provocado pela queda de um drone em sua residência.
Nos últimos meses, Kiev intensificou seus ataques com drones de longo alcance direcionados à infraestrutura energética russa. Simultaneamente, a Ucrânia conseguiu conter o avanço das tropas russas em algumas áreas. Em resposta, Moscou aumentou seus bombardeios com mísseis sobre Kiev, pressionando as já sobrecarregadas defesas antiaéreas ucranianas.
