O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araqchi, declarou nesta quinta-feira, 20, que a iniciativa dos Estados Unidos conhecida como “Dia D Econômico” representa uma tentativa de desviar a atenção dos problemas financeiros enfrentados por Washington e, segundo ele, resultará em “mais derrotas” para o país americano.
“Repetir políticas falhas apenas trará mais descontentamento e hostilidade por parte dos iranianos”, afirmou Araqchi. Ele ainda mencionou que a abordagem do presidente dos EUA, Donald Trump, se configura como uma forma de “terrorismo econômico”, colocando em risco tanto a economia mundial quanto a soberania de outras nações.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, também comentou que os americanos optaram por uma “guerra econômica” após não conseguirem alcançar suas metas por meio de ações militares.
“Eles dizem que o Irã está à beira da derrota e numa situação crítica, mas estão implorando ajuda aos seus aliados”, destacou Gharibabadi. “O verdadeiro problema reside nos erros de cálculo deles. Sempre que tentam encobrir isso, acabam gerando um fracasso ainda maior para si próprios”, acrescentou.
Guerra econômica
Essas declarações foram feitas um dia após Trump ter anunciado
a implementação de uma “guerra econômica” contra o Irã. O conflito entre os Estados Unidos e a República Islâmica já se estende por quase seis meses.
No seu perfil na rede Truth Social, o ex-presidente afirmou que Teerã “não soube aproveitar” uma oportunidade de negociação e prometeu “a operação econômica mais devastadora já realizada contra qualquer nação”. Detalhes sobre as novas sanções ainda não foram divulgados, embora o Irã já enfrente pesadas restrições econômicas americanas.
“Isso será uma guerra econômica sem precedentes e um isolamento em grande escala”, escreveu Trump. “A marinha deles desapareceu, sua força aérea foi aniquilada, suas instalações militares estão em ruínas, sua moeda não tem valor e sua nação está à beira do colapso”.
Trump ainda ameaçou países e empresas que prestem assistência ao Irã. Novamente, sem especificar quais seriam essas medidas ou os países envolvidos. “Hoje anuncio que qualquer nação que permita que suas instituições financeiras, empresas ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de suporte ao Irã enfrentará consequências econômicas severas”, publicou ele.
Pressão sobre o presidente americano
As observações do presidente republicano ocorrem em um contexto onde o conflito entre Washington e Teerã se aproxima do sexto mês sem sinais de resolução. Além disso, Trump enfrenta crescente pressão política interna devido à guerra, com as eleições legislativas de meio de mandato programadas para novembro.
No último mês, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que os Estados Unidos imporiam ao Irã um isolamento econômico “sem precedentes na história”.
Ainda que houve uma pausa recente nos ataques com mísseis, o Irã continua a bloquear o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz após falhar em um acordo com Washington para reabrir essa importante passagem.
