Leão XIV reafirma sua identidade: “Sou primeiro papa, depois cidadão americano” após críticas de Trump

Na noite de quarta-feira, 29, Leão XIV, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, expressou seu “grande amor” por seu país de origem, mas enfatizou que se vê primeiramente como o papa, que “por acaso é americano”. O pontífice fez essas declarações durante uma entrevista à televisão, realizada à margem de um evento de música e oração em Castel Gandolfo, sua residência de verão, com a presença do renomado tenor italiano Andrea Bocelli.

As suas palavras foram proferidas após trocas de farpas diretas e indiretas com o presidente Donald Trump, também americano. Embora tenha mencionado o nome do presidente apenas em duas ocasiões, Leão XIV não esconde sua desaprovação em relação à postura belicosa da administração Trump. O papa criticou a Casa Branca por utilizar a noção teológica de “guerra santa” para justificar ataques no conflito com o Irã. “Ai daqueles que utilizam a religião e o nome de Deus para obter vantagens, arrastando o que é sagrado para a imundície”, disparou ele, em resposta às observações do presidente, que havia insinuado que o papa era irrelevante em questões internacionais.

“Eu me vejo mais como o papa que é americano por acaso. Isso não diminui a importância de ser americano”, afirmou Leão XIV. Ele acrescentou: “Sinto um profundo amor pelos Estados Unidos, mas reconheço que minha missão possui uma grande amplitude: ser pastor da Igreja universal e ter a oportunidade de falar para pessoas ao redor do mundo”. O líder religioso tem uma vasta experiência missionária, tendo passado quase 20 anos no Peru, onde também adquiriu a nacionalidade peruana.

Questão migratória

Quando questionado sobre as coisas que ama nos Estados Unidos, o papa de 70 anos, nascido em Chicago, respondeu: “Tantas coisas”. Ele explicou que, em termos de princípios, os Estados Unidos simbolizam liberdade e oportunidades. “O país acolheu pessoas de diversas origens ao longo das gerações”, disse ele.

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O pontífice também destacou suas raízes familiares, mencionando que seus avós eram imigrantes e que na sua linhagem materna coexistem tanto ancestrais escravizados quanto aqueles que foram proprietários de escravizados. Assim como seu predecessor Francisco, Leão XIV defende os direitos dos imigrantes e classificou como “desumana” a forma como eles têm sido tratados sob a administração Trump. No último Dia da Independência dos EUA, 4 de julho, ele visitou a ilha italiana de Lampedusa — um ponto crucial na entrada da Europa para aqueles que cruzam o Mediterrâneo vindos da Africa. Durante essa visita, clamou por mais tolerância e proteção aos migrantes vulneráveis, muitos dos quais perdem suas vidas na perigosa travessia.

No entanto, Leão XIV revelou na entrevista que não tem planos imediatos para visitar os Estados Unidos, embora expresse esperança de fazê-lo “em breve”. O evento realizado em Castel Gandolfo fez parte das comemorações pelo oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis. Durante este encontro especial, Bocelli apresentou várias canções ao lado de jovens cantores provenientes de diferentes partes do mundo, incluindo a famosa obra “Panis Angelicus”.

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By Noticiei Agora

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