Após uma disputa acirrada que culminou em sua derrota no segundo turno das eleições presidenciais do Peru, o candidato de esquerda Roberto Sánchez anunciou na quarta-feira, dia 1º, o envio de um recurso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), contestando a vitória da candidata direitista Keiko Fujimori.
Sánchez protocolou uma medida cautelar, alegando irregularidades na contagem dos votos dos peruanos residentes no exterior, conforme declarado por seu partido, Juntos pelo Peru. Segundo ele, se esses votos fossem desconsiderados, a vitória seria sua.
A decisão de recorrer à CIDH ocorreu depois que o Júri Nacional de Eleições (JNE), a principal autoridade eleitoral do país, negou seu pedido para anular os votos internacionais, considerando as alegações como infundadas.
Resultado a favor de Fujimori
A confirmação da vitória de Keiko Fujimori nas eleições presidenciais só se deu após a apuração completa dos votos, que levou 22 dias e alcançou 100% das urnas. Conforme os dados divulgados pela autoridade eleitoral peruana na última segunda-feira, ela obteve 50,135% dos votos válidos e deve ser oficialmente proclamada como a próxima presidente do Peru nesta sexta-feira, dia 3.
<spanDurante a contagem apertada dos votos na semana anterior, onde frequentemente trocava de posição com Sánchez, a candidata esquerdista manifestou sua rejeição aos resultados e convocou manifestações. Ele alegou irregularidades no processo eleitoral e anunciou sua intenção de solicitar uma recontagem dos votos.
A virada na contagem ocorreu especialmente após a inclusão dos votos do exterior, que ampliaram a vantagem de Fujimori sobre seu oponente.
No Brasil, Keiko também superou Sánchez entre os eleitores peruanos. Com 100% das atas contabilizadas na semana passada pela Comissão Nacional Eleitoral do Peru (ONPE), Fujimori recebeu 2.832 votos, correspondendo a 55,6% do total, enquanto o candidato esquerdista obteve 2.261 votos, ou 44,4%.
Cenário político instável
Atualmente, o Peru enfrenta um período marcado por intensa instabilidade política. Nos últimos oito anos, o país já teve oito presidentes devido a uma série de fatores que incluem eleições, renúncias e processos de impeachment.
A crise mais recente teve início em dezembro de 2022 com a queda de Pedro Castillo, que foi preso após tentar dissolver o Congresso e declarar estado de exceção para evitar seu impeachment. Desde então, o país tem enfrentado sucessivas mudanças na liderança, incluindo os governos interinos de Dina Boluarte, José Jeri e José María Balcázar Zelada.
