As Forças Armadas dos Estados Unidos confirmaram o uso de ferramentas avançadas de inteligência artificial (IA) durante operações militares envolvendo o Irã, em um sinal de como tecnologias digitais vêm ganhando papel crescente nos conflitos contemporâneos. A informação foi divulgada na quarta-feira (11) pelo general Brad Cooper, comandante do United States Central Command (CENTCOM), responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio.
A declaração foi feita durante uma atualização pública sobre as operações conduzidas pelo comando na região, em meio ao aumento das tensões militares e às críticas internacionais sobre o impacto dos ataques na população civil.
Segundo Cooper, os sistemas baseados em IA estão sendo empregados principalmente para processar e analisar grandes volumes de dados militares em tempo reduzido. Em mensagem divulgada em vídeo, o comandante afirmou que a tecnologia ajuda analistas a interpretar rapidamente informações provenientes de múltiplas fontes — como imagens de satélite, dados de drones, sensores militares e interceptações de comunicação — permitindo uma leitura mais rápida do cenário no campo de batalha.
O objetivo, de acordo com o comando militar, é acelerar a chamada “cadeia de decisão” das operações. Em vez de depender apenas de equipes numerosas de analistas humanos, os sistemas automatizados conseguem identificar padrões e cruzar informações em poucos minutos, apoiando militares na avaliação de riscos e na definição de estratégias. Autoridades americanas ressaltam, no entanto, que as decisões finais continuam sendo tomadas por operadores humanos, e não pelos algoritmos.
IA é um investimento antigo nos Estados Unidos
O uso de IA em operações militares não é totalmente novo. Nos últimos anos, o United States Department of Defense passou a investir em programas para integrar aprendizado de máquina às atividades de inteligência e vigilância. Um dos exemplos mais conhecidos é o Project Maven, iniciativa criada para aplicar algoritmos à análise automática de imagens captadas por drones e outros sensores. O sistema ajuda a identificar objetos, veículos ou estruturas em grandes volumes de dados visuais.
Especialistas afirmam que esse tipo de tecnologia pode aumentar significativamente a velocidade das operações militares modernas, permitindo analisar informações que antes levariam horas ou dias para serem processadas. Ao mesmo tempo, o avanço dessas ferramentas também tem levantado preocupações entre organizações de direitos humanos e analistas de segurança, que alertam para o risco de erros de identificação e para os desafios éticos relacionados ao uso de algoritmos em decisões que podem resultar em ataques militares.
Nos últimos anos, grandes empresas de tecnologia também passaram a colaborar mais diretamente com projetos ligados à defesa e segurança nacional dos Estados Unidos. Companhias como Palantir Technologies, Microsoft e Amazon Web Services já fornecem infraestrutura digital, análise de dados ou serviços de computação em nuvem para órgãos militares e de inteligência.
Polêmica
Outro debate recente envolve empresas de inteligência artificial generativa, como a Anthropic, desenvolvedora do modelo de IA Claude. A companhia passou a permitir que agências de segurança nacional utilizem seus sistemas em algumas aplicações analíticas. Até o momento, porém, não há confirmação pública de que essa tecnologia esteja sendo usada diretamente nas operações militares citadas pelo comando americano.
