A deputada federal Erika Hilton informou que fez uma solicitação de investigação ao Ministério Público Federal em relação ao apresentador Ratinho e o SBT por causa de declarações feitas por ele durante seu programa na quarta-feira (11/3). Durante a transmissão, o comunicador fez críticas à escolha da parlamentar para liderar a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, com comentários que, segundo Hilton, foram considerados transfóbicos.
Nas mídias sociais, a deputada explicou que decidiu recorrer à Justiça após o incidente. “Sim, estou movendo um processo contra o apresentador Ratinho. Sei que, devido à audiência baixa de seu programa, que aparentemente não agrada nem a seus superiores no SBT, ele recorre à violência. Pois o que o apresentador fez foi um ato violento, um ataque, e não foi apenas contra mim. Ratinho interrompeu seu programa para afirmar que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres sem útero não são mulheres e que mulheres sem filhos não são mulheres”, compartilhou no Instagram.
Hilton solicitou a abertura de uma ação civil pública buscando uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos causados à comunidade trans e travesti. A informação foi divulgada pela colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.
No pedido, a parlamentar afirmou que Ratinho negou repetidamente sua identidade de gênero ao mencionar sua eleição para a liderança da Comissão de Defesa da Mulher, na Câmara dos Deputados do Brasil. “Ela não é mulher, ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher”, disse Ratinho.
A deputada também compartilhou a reportagem da Folha em suas redes e criticou novamente a postura do apresentador. “O discurso de Ratinho foi, sim, um ataque a mim e às pessoas trans. Porém, demonstrou a misoginia, o ódio primordial que essa figura deplorável possui em relação a qualquer mulher que não siga o padrão que ele considera correto. Fiquei quase surpresa ao presenciar um pensamento tão arcaico”, desabafou.
Além da ação legal, Hilton afirmou que planeja apresentar outras denúncias envolvendo Ratinho e seus familiares: “Lembrei das notícias que relatavam que, em 2016, 128 anos após a abolição da escravatura, Ratinho submetia pessoas à escravidão em suas fazendas no Paraná. E o apresentador pode desejar viver nesse passado, dentro de sua mente. Se as preocupações com as denúncias que farei sobre um escândalo envolvendo seu filho e o crime de estupro de vulnerável mais tarde não ocuparem toda a capacidade cerebral dele, é claro”.
A deputada concluiu com uma declaração decisiva. “Por fim, é importante lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Esse apresentador é, e sempre será, um rato”, disparou.
