O pilar mais esquecido do ESG está dentro do RH

Durante anos, o ESG esteve associado principalmente às metas ambientais. Mas uma pesquisa da WTW, que ouviu mais de 3,6 mil empresas representando cerca de 18 milhões de trabalhadores em todo o mundo, mostra que essa realidade está mudando. Segundo o levantamento Diagnóstico do Bem-Estar 2024, 64% das organizações apontam a crise de saúde mental como um dos principais fatores para fortalecer suas estratégias de bem-estar, enquanto 55% já incorporaram iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) às políticas voltadas aos colaboradores. Além disso, empresas com programas de bem-estar considerados eficazes têm até duas vezes mais chances de apresentar melhor desempenho organizacional.

Apesar desse movimento, especialistas afirmam que o “S” do ESG ainda recebe menos atenção do que os pilares ambiental e de governança. Questões como acesso à saúde, qualidade dos benefícios, prevenção de doenças, segurança psicológica e bem-estar dos colaboradores ainda são pouco acompanhadas por indicadores, embora impactem diretamente produtividade, retenção de talentos e resultados financeiros.

Essa percepção também aparece no relatório Health on Demand 2025, da Mercer Marsh Benefits, realizado com mais de 18 mil colaboradores em 17 mercados. O estudo revela que apenas 74% dos profissionais afirmam estar física e mentalmente bem, uma queda em relação aos 82% registrados em 2023, reforçando que investir na saúde e no bem-estar dos colaboradores deixou de ser apenas uma ação de RH para se tornar uma necessidade estratégica.

Para Gustavo Chehara, CEO da Joyn Benefícios, muitas empresas evoluíram na gestão ambiental, mas ainda não conseguem medir o impacto das próprias iniciativas voltadas às pessoas. “Hoje, boa parte das organizações sabe acompanhar indicadores ambientais, mas poucas conseguem responder, com dados, se seus benefícios realmente melhoram a qualidade de vida dos colaboradores, reduzem afastamentos ou fortalecem a retenção de talentos. O pilar Social precisa deixar de ser apenas um compromisso no relatório ESG e passar a ser acompanhado de forma contínua”, afirma.

Na avaliação do executivo, benefícios corporativos deixaram de ser apenas parte da remuneração para se tornarem uma ferramenta de gestão. Indicadores como utilização dos benefícios, adesão a programas preventivos, sinistralidade, absenteísmo e satisfação dos colaboradores ajudam as empresas a transformar o cuidado com as pessoas em resultados concretos para o negócio, fortalecendo justamente o pilar do ESG que ainda é considerado o mais desafiador para grande parte das organizações.

À medida que investidores, consumidores e os próprios profissionais passam a exigir empresas mais comprometidas com o bem-estar de seus colaboradores, especialistas avaliam que o “S” do ESG tende a ganhar cada vez mais espaço nas estratégias corporativas. Nesse cenário, a capacidade de medir o impacto das iniciativas voltadas às pessoas deve se consolidar como um dos principais indicadores de maturidade em sustentabilidade empresarial.

Carolina Cristina
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By Noticiei Agora

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