Em 9 de março de 2021, o almirante americano Philip Davidson, em depoimento ao Senado dos Estados Unidos, previu que os avanços e ambições militares da China representariam uma ameaça concreta a Taiwan “nos próximos seis anos”. Desde então, a avaliação moldou a estratégia militar das administrações americanas sob Joe Biden e Donald Trump e impulsionou gastos bilionários com a preparação para um conflito potencialmente catastrófico que aconteceria até 2027.
No entanto, um relatório anual de inteligência dos Estados Unidos, divulgado na quarta-feira, 18, revelou que a China não planeja invadir a ilha vizinha que considera parte de seu território no próximo ano. Na verdade, diz o documento, Pequim deseja assumir o controle desse pedaço de terra, hoje governado democraticamente, sem recorrer à força.
A comunidade de inteligência “considera que os dirigentes chineses não têm atualmente a previsão de executar uma invasão de Taiwan em 2027, nem contam com um calendário fixo para obter a unificação”, destacou o relatório de Avaliação Anual de Ameaças. “Em 2026, Pequim provavelmente continuará tentando estabelecer as condições para uma eventual unificação com Taiwan, sem chegar ao conflito”, acrescentou o texto.
O documento avalia ainda que as autoridades chinesas reconhecem que uma invasão anfíbia de Taiwan “seria extremamente desafiadora e acarretaria um risco elevado de fracasso, especialmente no caso de uma intervenção dos Estados Unidos”.
Os autores do relatório destacaram que Pequim insiste publicamente que “a unificação com Taiwan é necessária para alcançar seu objetivo de ‘rejuvenescimento nacional’ até 2049”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, rebateu nesta quinta-feira, 19, que “a questão de Taiwan é um assunto interno da China” e pediu que o governo americano “fale e aja com prudência” a respeito da ilha.
“Os Estados Unidos deveriam corrigir sua percepção sobre a China e parar de inflar a teoria da ameaça chinesa”, declarou o porta-voz em entrevista coletiva ao ser questionado sobre o relatório.
Washington não reconhece Taiwan formalmente como país (apenas doze nações em todo o mundo mantêm laços diplomáticos com o governo local), mas é o principal apoio militar da ilha. O tom do suporte, no entanto, registrou uma leve flexibilização durante o governo do presidente Trump, para quem a defesa do território deveria ser responsabilidade exclusiva de Taipé.
