As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) anunciaram ter atacado uma instalação iraniana onde estariam sendo desenvolvidas armas nucleares. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, 12, o Exército israelense informou que o Irã utilizava o espaço para “conduzir experimentos secretos de seu Projeto AMAD”, o suposto programa de desenvolvimento de bombas atômicas do país.
O governo israelense e seu principal aliado, os Estados Unidos, há muito acusam Teerã de utilizar seu programa atômico para fins militares, algo que a República Islâmica nega com veemência. Segundo o governo iraniano, seu programa nuclear tem fins apenas civis e energéticos.
De acordo com as IDF, “a Força Aérea Israelense, atuando com base em inteligência precisa das Forças Armadas, atingiu outra instalação do programa nuclear iraniano”. Tel Aviv afirma que o local, referido como complexo de Taleqan, vinha sendo utilizado pelo regime para “avançar em capacidades críticas que visavam o desenvolvimento de armas nucleares”.
O complexo de Taleqan aparentemente faz referência a uma instalação na base de Parchín, a sudoeste de Teerã, alvo de bombardeios nos últimos dias. Segundo o think tank americano Institute for Science and International Security, responsável por monitorar o programa nuclear do Irã, autoridades organizaram atividades militares secretas no local recentemente.
As instalações já haviam sido atacadas pelas IDF em outubro de 2024, como parte de uma retaliação a uma ofensiva iraniana naquele mesmo mês, mas Teerã tomou medidas recentes para “reabilitar o complexo”. Tel Aviv afirma que o bombardeio desta quinta faz parte de uma série de operações destinadas a “prejudicar ainda mais as aspirações nucleares do regime terrorista iraniano”.
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Embora não haja evidências concretas de que haja desenvolvimento de bombas atômicas no Irã, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização ligado às Nações Unidas, disse no início do mês que o Irã usava centrífugas avançadas na planta Natanz para enriquecer o urânio em até 60%, criando um estoque de cerca de 450 kg do material. O patamar está próximo dos 90% de pureza considerados necessários para a produção de uma bomba nuclear, e seria suficiente para confeccionar até 10 ogivas.
O programa nuclear iraniano é o centro das hostilidades entre a coalizão EUA-Israel e o Irã. As nações ocidentais acusam Teerã de instrumentalizar seu programa atômico para fins bélicos e buscam impedir qualquer avanço da república islâmica em direção à bomba atômica, que Tel Aviv descreve como “ameaça existencial”. Embora as autoridades iranianas neguem qualquer tipo de projeto militar nuclear, a coalizão desencadeou um ataque conjunto ao país no dia 28 de fevereiro, dando início a um cenário de instabilidade generalizada no Oriente Médio.
Dezenas de autoridades iranianas foram mortas no episódio, incluindo o líder supremo do país, Ali Khamenei, e grande parte das infraestruturas militares sob controle de Teerã foi alvejada. Em retaliação, o Irã disparou ataques contra pelo menos nove países vistos como aliados dos Estados Unidos na região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait.
