Na quarta-feira, 7, um grupo de deputados democratas pertencentes à comissão de relações internacionais da Câmara dos Estados Unidos voltou a expressar suas preocupações sobre alegações de interferência do governo Donald Trump nas eleições do Brasil.
Gregory Meeks, representante de Nova Iorque e membro sênior da comissão, junto com a californiana Sydney Kamlager-Dove, copresidente do caucus do Congresso sobre o Brasil, lideraram uma delegação de dez congressistas que solicitam esclarecimentos ao Departamento de Estado, sob a direção do secretário Marco Rubio. Eles mencionam um esforço contínuo do governo Trump para influenciar o resultado das eleições presidenciais no Brasil.
Antes da realização do primeiro turno das eleições, onde o senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47% dos votos em comparação aos 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), parlamentares já haviam enviado uma mensagem a Rubio denunciando as supostas tentativas de interferência. Posteriormente, senadores solicitaram garantias à administração Trump sobre a aceitação dos resultados eleitorais, expressando em um documento enviado a Rubio sua “preocupação com ações governamentais que colocam em risco nossa aliança estratégica com o Brasil”.
Cadeia de ‘preocupações’
No novo comunicado desta quarta-feira, os deputados democratas mencionaram encontros entre autoridades do Departamento de Estado e Jair Bolsonaro, além de sanções da Lei Magnitsky dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). Essas ações foram descritas como tentativas infrutíferas de proteger o ex-presidente Bolsonaro e como ameaças às instituições democráticas e aos processos eleitorais brasileiros.
“A administração Trump fez tentativas reiteradas de influenciar a política interna do Brasil, colocando em risco as instituições democráticas e os processos eleitorais”, afirmaram os congressistas. “Estamos alarmados com as ações realizadas pelo Departamento de Estado que podem ter como objetivo criar uma crise diplomática meses antes das eleições brasileiras”, acrescentaram.
A nomeação de Darren Beattie como “enviado para o Brasil” pelo Departamento de Estado em fevereiro deste ano também foi destacada como uma preocupação. Os parlamentares argumentam que ele possui um histórico conhecido por declarações racistas e incendiárias, incluindo a afirmação de que “homens brancos competentes devem estar no comando”. Beattie foi demitido da Casa Branca durante o governo Trump após participar de uma conferência com nacionalistas brancos proeminentes.
A carta conclui: “As relações entre os EUA e o Brasil devem ser baseadas no respeito pelas decisões democráticas do povo brasileiro, ao invés de serem influenciadas pela vitória do candidato apoiado pelo presidente Trump”.
Anulação do visto da embaixadora
Ainda na mesma linha, o grupo criticou a decisão tomada para revogar o visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Essa medida foi considerada uma escalada desnecessária que prejudica as relações entre os Estados Unidos e o Brasil e compromete os interesses americanos na região.
“Essa ação desnecessária é apenas mais um episódio em uma série de medidas que têm causado sérios danos à nossa relação com a maior democracia e economia da América do Sul. Em um momento em que a administração Trump diz priorizar o Hemisfério Ocidental, tal decisão agrava ainda mais a imagem dos EUA na região e aproxima o Brasil dos nossos adversários”, concluíram os deputados.
Nesta mesma semana, um ex-agente da CIA, John Kiriakou, revelou que existem indícios apontando que os Estados Unidos estão interferindo nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro. Em suas declarações no X (antigo Twitter), ele afirmou ter subestimado “o poder do populismo” durante a corrida eleitoral e sugeriu que os serviços de inteligência americanos no exterior estão “potencialmente intervindo” nas eleições.
