O Banco Central divulgou em seu Relatório de Política Monetária de março que o cenário econômico está mais desafiador, devido ao aumento da incerteza global e às pressões persistentes sobre a inflação. O acirramento dos conflitos no Oriente Médio é o principal fator de atenção, impactando as condições financeiras internacionais e elevando a volatilidade de ativos e os preços de commodities, especialmente o petróleo.
No ambiente interno, a atividade econômica brasileira está desacelerando. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3% em 2025, abaixo dos anos anteriores, refletindo a perda de fôlego da demanda interna e de setores mais sensíveis ao ciclo econômico. A projeção de crescimento para 2026 continua em 1,6%, com riscos elevados devido ao cenário externo mais adverso.
O mercado de trabalho mantém-se resiliente apesar da moderação da atividade, com a taxa de desemprego atingindo mínimos históricos e os salários reais em expansão. Isso sustenta o consumo, porém também pressiona a inflação, especialmente nos serviços.
A inflação, apesar de desacelerar recentemente, ainda está acima da meta de 3%. O IPCA acumulado em 12 meses caiu de 4,46% em novembro para 3,81% em fevereiro, mas os núcleos de inflação permanecem elevados, com destaque para os serviços.
As projeções do Banco Central indicam que a inflação deve subir ao longo de 2026, influenciada principalmente pelos preços do petróleo. Depois de encerrar 2025 em 4,3%, a inflação deve cair para 3,6% no início de 2026, subir novamente e terminar o ano em 3,9%, acima da meta. Para 2027, a projeção é de 3,3%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a necessidade de cautela diante desse cenário, ressaltando a elevada incerteza em relação aos conflitos no Oriente Médio, o que dificulta a previsão da trajetória de inflação. Na última reunião, o Copom reduziu a taxa básica de juros para 14,75% ao ano, iniciando um processo de calibração após um período contracionista, mantendo o compromisso com a convergência da inflação para a meta.
O Comitê sinaliza que os próximos passos dependerão da evolução dos dados econômicos e do cenário externo, mantendo uma postura cautelosa para equilibrar o controle da inflação com a sustentação da atividade econômica.
