Rafa Justus: Cirurgias plásticas em adolescentes vão além da permissão dos pais; saiba mais

A recente rinoplastia de Rafaella Justus, que completou 16 anos, trouxe à tona uma discussão recorrente: como ocorre o processo para adolescentes se submeterem a cirurgias plásticas no Brasil? Rafaella já havia realizado uma primeira operação no nariz em 2024, aos 14 anos, que visava corrigir um desvio de septo. Naquela ocasião, ela também fez uma cirurgia ortognática para ajustar problemas ósseos na mandíbula, o que melhorou sua mordida e respiração.

Com a repercussão dessa situação, o portal LeoDias buscou esclarecimentos com o cirurgião plástico Dr. Gustavo Merheb e o advogado especializado em Direito de Família e Saúde, Dr. Daniel Blanck. Eles discutiram os critérios médicos, psicológicos e legais que envolvem procedimentos estéticos para menores de idade.

Confira as fotos

Rafa Justus compartilhou o resultado da cirurgia estética em suas redes sociais.Reprodução/ @rafapinheirojustus
Rafa Justus compartilhou o resultado da cirurgia estética em suas redes sociais.Reprodução/ @rafapinheirojustus
Rafa Justus compartilhou o resultado da cirurgia estética em suas redes sociais.Reprodução/ @rafapinheirojustus
Reprodução Instagram
Rafaella Justus. Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Rafaella JustusReprodução Instagram Rafaella Justus
Rafa Justus participou da festa de aniversário de Camila LouresCrédito: Portal LeoDias
Rafa JustusReprodução Instagram Rafa Justus
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A avaliação médica para cirurgias plásticas em adolescentes não é proibida no Brasil, mas deve seguir protocolos rigorosos e requisitos éticos.

O Dr. Gustavo Merheb, cirurgião plástico, explica que a primeira fase do processo envolve uma avaliação médica similar à feita em adultos, porém levando em conta o estágio de crescimento do paciente.

“A consulta com o especialista é crucial para discutir as queixas e determinar qual procedimento é mais indicado; é um momento onde as expectativas devem ser alinhadas com a realidade”, comenta ele.

Ao realizar a avaliação inicial, além da consulta com o cirurgião, os adolescentes precisam passar por exames laboratoriais e avaliações clínicas. Em casos específicos, um acompanhamento psicológico também é recomendado.

Ainda que não exista uma idade mínima estipulada por lei para rinoplastias, há orientações médicas relacionadas ao desenvolvimento facial. “Meninas costumam estar prontas a partir dos 15–16 anos; meninos geralmente a partir dos 16–17 anos, pois é importante que o nariz tenha quase completado seu crescimento”, detalha o médico.

Diferença entre Cirurgia Estética e Funcional

O caso de Rafaella possui características específicas. “A primeira cirurgia teve um foco muito mais reparador do que estético devido à sua condição congênita (cranioestenose), enquanto a segunda visou aprimorar os resultados da primeira”, esclarece ele.

A distinção entre intervenções estéticas e funcionais influencia a forma como cada procedimento é avaliado. O Dr. Gustavo ressalta que operações com caráter funcional têm finalidade terapêutica, como correção de desvio de septo ou problemas respiratórios, enquanto as estéticas buscam aprimorar a aparência física. Muitas vezes essas finalidades se entrelaçam. “Frequentemente realizamos ambos os procedimentos simultaneamente (rinoplastia + septoplastia)”, afirma.

Aspectos Legais

No âmbito legal, Dr. Daniel Blanck explica que adolescentes abaixo de 18 anos não têm autonomia total para decidir sobre cirurgias eletivas. “Essa escolha requer a participação dos responsáveis legais”, destaca ele. Contudo, enfatiza que a autorização dos pais não é um aval irrestrito.

“O médico deve informar sobre os riscos do procedimento, seus benefícios, alternativas disponíveis e cuidados pós-operatórios”, aponta o advogado. Ele acrescenta que o consentimento deve ser formalizado claramente conforme as diretrizes do Código de Ética Médica e as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Pressão Estética e Avaliação Psicológica

A maturidade emocional do adolescente também precisa ser considerada nesse contexto. Embora a avaliação psicológica não seja obrigatória sempre, pode ser aconselhada quando há indícios de expectativas irreais ou influência excessiva das redes sociais.

“Atualmente temos condições de identificar desvios nas expectativas versus realidade e sugerir uma avaliação psicológica quando necessário”, explica o cirurgião plástico.

Pelo ponto de vista jurídico, a preocupação transcende questões estéticas. “Devemos questionar não apenas se os pais podem autorizar a cirurgia, mas se ela realmente atende ao melhor interesse do adolescente”, afirma Dr. Daniel.

Quando Médicos Podem Recusar Procedimentos

Médicos e clínicas possuem o direito de recusar realizar procedimentos mesmo com autorização familiar em casos de risco elevado ou falta de maturidade emocional do paciente. Isso pode ocorrer diante de expectativas irreais ou ausência de indicação clínica apropriada.

“Os pais não detêm um direito absoluto sobre os corpos dos filhos”, sublinha Dr. Daniel Blanck. O exercício do poder familiar deve sempre favorecer a proteção e bem-estar do menor.

Decisão Judicial em Casos de Pais Separados

No contexto familiar onde os pais estão separados, recomenda-se que ambos participem ativamente na tomada de decisão acerca da cirurgia estética planejada.”Como esses procedimentos geralmente não são urgentes, obter autorização conjunta é a opção mais segura”, orienta Dr. Daniel Blanck.

Caso exista desacordo entre os responsáveis legais, o procedimento pode ser suspenso até uma deliberação judicial ocorrer.

Exposição nas Redes Sociais

A divulgação sobre esses procedimentos nas mídias sociais requer atenção cuidadosa por parte dos profissionais da saúde envolvidos. Dr. Daniel Blanck alerta que médicos devem obedecer normas éticas além das regras relacionadas à imagem e privacidade dos menores.”Transformar uma cirurgia em material promocional ou entretenimento pode levantar sérias questões éticas”, adverte ele.

Retoques Potenciais e Riscos Envolvidos

Os especialistas ressaltam ainda que intervenções feitas na adolescência podem demandar ajustes futuros.”Qualquer tipo de cirurgia plástica pode necessitar refinamentos durante o período pós-operatório”, destaca Dr. Gustavo Merheb.

Nesse sentido, ele salienta que os riscos associados à rinoplastia nessa faixa etária são comparáveis aos observados em qualquer outra idade desde que haja supervisão adequada.”Com cuidados apropriados nos estágios pré-operatórios, os riscos se tornam mínimos”, finaliza.

By Noticiei Agora

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