O Departamento de Justiça do Novo México está investigando uma denúncia de que o financista Jeffrey Epstein teria ordenado o enterro de dois corpos perto de seu rancho no Estado. A acusação está presente em um e-mail de 2019 que veio à tona na mais recente divulgação de documentos feita pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
A porta-voz da promotoria estadual, Lauren Rodriguez, confirmou que as autoridades solicitaram uma cópia sem tarjas do e-mail ao governo federal para analisar completamente a acusação. Até o momento, o Federal Bureau of Investigation (FBI) não se pronunciou sobre o caso.
Rodriguez afirmou: “Estamos investigando ativamente essa denúncia e realizando uma revisão mais ampla à luz da divulgação dos novos documentos”.
O e-mail, enviado alguns meses após a morte de Epstein, foi direcionado em 2019 ao apresentador de rádio Eddy Aragon, do Novo México. O remetente, que se dizia ex-funcionário do rancho Zorro – propriedade de Epstein localizada perto de Santa Fé, afirmava possuir vídeos que mostravam o financista com menores e oferecia o material em troca de um bitcoin.
Além disso, o autor do e-mail alegou que duas jovens estrangeiras teriam sido enterradas “em algum lugar nas colinas fora do Zorro”, supostamente por ordem de Epstein. Aragon encaminhou o conteúdo ao FBI, no entanto, não há evidências públicas de que o pagamento tenha sido efetuado ou de que os vídeos realmente existam.
Um relatório do FBI de 2021, presente na nova divulgação de arquivos, indica que Aragon procurou o escritório da agência para reportar a mensagem. No entanto, não foram encontradas outras referências à acusação nos documentos tornados públicos, nem conclusões das autoridades sobre a veracidade das alegações.
O Departamento de Justiça dos EUA alertou previamente que parte dos materiais divulgados contém acusações “sensacionalistas e não verificadas”, incluindo denúncias anônimas não corroboradas ou consideradas falsas.
Pressão política e investigação estadual
O Legislativo do Novo México iniciou uma investigação abrangente sobre as denúncias de abuso sexual supostamente cometidos por Epstein no Zorro Ranch ao longo de mais de duas décadas. Esse caso tem colocado pressão sobre o presidente Donald Trump, com parlamentares democratas pedindo maior transparência na divulgação de documentos ligados ao financista.
A comissária de Terras Públicas do Novo México, Stephanie Garcia Richard, descobriu o e-mail durante uma análise recente dos novos arquivos. Em uma carta ao Departamento de Justiça em 10 de fevereiro, ela solicitou uma investigação completa sobre possíveis crimes cometidos no rancho e áreas adjacentes pertencentes ao Estado.
Epstein arrendou cerca de 503 hectares de terras públicas ao redor da propriedade em 1993. Os contratos foram encerrados em setembro de 2019, após autoridades estaduais concluírem que as áreas não estavam sendo usadas para atividades agropecuárias, mas sim como uma zona de isolamento ao redor do rancho.
Histórico do caso
Em 2008, Jeffrey Epstein foi condenado por aliciamento de prostituição envolvendo menor de idade. Em 2019, ele foi preso novamente sob acusações federais de tráfico sexual de menores, vindo a falecer em agosto daquele ano em uma prisão de Nova York, oficialmente classificado como suicídio.
Desde então, a divulgação contínua de documentos judiciais e administrativos tem alimentado investigações e controvérsias políticas nos EUA e no exterior. A nova investigação no Novo México adiciona mais complexidade a um caso que continua a gerar repercussões mesmo após a morte do financista, quase sete anos atrás.
