Na última quinta-feira, 24, jornalistas da CNN, Politico e MS NOW enfrentaram novamente restrições ao tentarem acessar a Casa Branca, mesmo após um juiz federal ter determinado algumas horas antes que as credenciais desses veículos deveriam ser restabelecidas pelo governo do presidente Donald Trump.
Um repórter do Politico foi barrado na entrada durante a manhã e teve seu crachá confiscado, conforme noticiado pela própria publicação. Além disso, profissionais da CNN e da MS NOW relataram que também foram impedidos de entrar nas dependências da Casa Branca.
O juiz federal Timothy Kelly havia emitido uma ordem para que a administração Trump restabelecesse “imediatamente” o acesso dos três meios de comunicação à Casa Branca, ressaltando que a proibição imposta era provavelmente inconstitucional. Esta decisão tem validade inicial de 14 dias, permitindo que a Justiça analise o processo movido pelos veículos contra o governo.
Proibição
Na última sexta-feira, Trump havia expulso os repórteres dos três meios de comunicação da residência presidencial como uma forma de retaliação por publicações que ele classificou como “notícias falsas”.
“É com orgulho que anuncio que, com efeito imediato, estou banindo a rede de notícias falsas CNN, a MSNow e o Politico da Casa Branca devido à sua constante ‘reportagem’ de NOTÍCIAS FALSAS”, escreveu o presidente em suas redes sociais.
Ele também argumentou que “os veículos não deveriam ter a liberdade de escrever ou relatar constantemente FICÇÃO e MENTIRAS ao cobrir o presidente dos Estados Unidos e seu governo”.
No dia 19, repórteres da CNN e MS NOW foram proibidos de acessar as instalações da Casa Branca, com funcionários do governo recolhendo os crachás dos jornalistas. Historicamente, profissionais de diversos veículos têm autorização regular para acessar as áreas de imprensa da Casa Branca e acompanhar eventos como coletivas e anúncios no Salão Oval.
Trump negou qualquer ataque à liberdade de imprensa do país, afirmando que está lutando contra as “fake news”, que ele considera uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
“A Casa Branca não realiza um ataque à imprensa livre, algo que eu valorizo. O que fazemos é combater as FAKE NEWS, um problema crescente em nosso amado país. Elas são corruptas, intencionais e totalmente fora de controle. Representam um risco para nossa segurança nacional e precisam ser contidas AGORA!”, afirmou o presidente em sua plataforma Truth Social na segunda-feira.
Boicote
Diante das restrições impostas aos jornalistas citados, as cinco principais emissoras de televisão dos Estados Unidos decidiram suspender a cobertura coletiva das atividades do governo americano. Essas redes incluem ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC.
Essas emissoras costumam se revezar na produção e distribuição de imagens relacionadas aos eventos presidenciais entre si e com outras organizações jornalísticas.
Dado que tanto a CNN quanto a NBC estão entre os veículos afetados pela medida restritiva, as cinco redes optaram por não substituir a equipe da CNN previamente designada para cobrir os eventos. Em nota oficial, elas afirmaram que o público merece receber informações independentes sobre o governo e enfatizaram que nenhuma administração deve restringir uma organização jornalística por desavenças sobre sua cobertura.
‘Trump TV’
No contexto do boicote mencionado, a Casa Branca lançou no dia 21 uma plataforma chamada “Trump TV”, um canal no YouTube dedicado à transmissão contínua de discursos e outros conteúdos relacionados ao presidente dos Estados Unidos.
A plataforma oficialmente intitulada “Trump TV: The Essentials Station” opera pelo canal oficial da Casa Branca no YouTube e apresenta vídeos selecionados ou produzidos pelo próprio governo. A primeira exibição ocorreu por volta das 19h (horário local) na segunda-feira e incluiu um discurso proferido por Trump no Monte Rushmore durante as celebrações dos 250 anos da independência americana. Posteriormente, o canal exibiu imagens da posse do presidente em janeiro de 2025.
A postagem no X anunciou que o canal “já está transmitindo ao vivo. Com programação ininterrupta 24 horas por dia, 7 dias por semana, além de atualizações em tempo real, reúne os melhores momentos passados e recentes da administração”.
